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sábado, 9 de abril de 2011
Que Mundo é esse?
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A Destruição de um Mito
Eu passei a semana neurótico por um tema, e ele fazia o maior sentido do mundo, até o fim da tarde de ontem. Estava no Twitter, por volta das quatro e meia, quando vi surgir na minha timeline quatro retweets indignados de pessoas que, como eu, cresceram ouvindo Dig Dig Joy, Maria Chiquinha e acreditando que a Sandy era a última virgem do pedaço. Caramba, nós nem nos refizemos direito do bruta choque que foi a campanha da Devassa e agora já recebemos outra paulada da vida? Definitivamente, não estávamos preparados para ouvir isto da boca da nossa imaculada virgenzinha:
Sério, fica o apelo. Você, entidade do mal que se apossou da nossa querida, eterna e RESPOSTA DE SANDY AO TEXTO:
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Toca Raul

Seis da manhã e o seu relógio biológico, terrivelmente pontual, o faz acordar. A testa enruga e as pernas riscam a cama de um jeito feroz, jogando o cobertor debaixo do colchão. O inevitável aconteceu: o dia raiou. Levanta, rogando pragas para Deus e o mundo. Faz o caminho até o banheiro proferindo mais pragas e chega até a chaleira na cozinha dizendo mais algumas. Enquanto o café ferve, lava e xinga a pobre louça; por vezes quebra alguma xícara e lá vamos nós com mais pragas. Tritura o pão com salivas e lamentos de “um homem que trabalha pra cacete”. Beija a mulher com um “foda, tenho que trabalhar agora?” nos olhos. Leva o filho até a escola pensando em problemas que teve, tem e vai ter. No trabalho, enquanto as máquinas procuram pequeninos meatos nas peças de ferro, rumina “porra... e se eu tivesse passado naquele vestibular?”. Volta pra casa e lamenta “merda... poderia ter ganhado no bicho hoje”. Atravessa o quarto, a cozinha e o banheiro, larga carteira e chaves em algum lugar sólido. Chega no escuro quarto dos fundos. E com um brilho interjetivo nos olhos, lança: “você!”. A velha vitrola ainda está lá. Louco está, para que aquela agulha afiada destrinchasse sua alma através do som das trilhas do vinil. Surdo de frustrações, ansioso para as tais ondas invisíveis encantem seus ouvidos. Olha para as grandes e brilhantes capas de papel e as observa com cuidado. Separa algumas e retribui o sorriso que algumas delas trazem. Puxa a velha bolacha de dentro daquele doce pacote. Roberto, McCartney, Simon, Jackson, Brown, Garfunkel, Gonzaga, Jobim e Raul tocam e numa súbita epifania ele pensa: “caralho... sou feliz agora”.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Marli, sua linda!
Hmm.. tá.
Vamos falar sobre...
M A R L I
Ela não tem a malemolência de Suh Bombom Pimentinha. Ou a Gloriamariazice de Leona, a assassina vingativa. Muito menos os bordões de Vanessão. Mas se mantém há anos na web como uma celebridade digna de nota e produzindo lindamente
Da descrição do Last.fm da linda:
‘‘ Ela arrumou emprego como empregada doméstica numa casa de família. As histórias sobre lobisomens de chupa-cabras eram envoltas em falsa inocência, eram divertidas, porém não convenciam ninguém. Foi então que o filho dos patrões enxergou uma luz própria na nova hóspede da casa. Marli era a personificação dos sentimentos mais negros, lascivos e (por que não?) inocentes da raça humana. Ele então a convidou para compor músicas. Ela gostou da idéia. ’’
De lá pra cá, foram dez LPs gravados e disponibilizados na rede. Marli ganhou notoriedade. Alguns receberam até videoclipe e viraram verdadeiros hits, como ‘‘O amor está no ar’’ (uma verdadeira ode ao, digamos, *amor livre*, em que o verso-título é rimado por VAMOO COPULÁÁÁ) ou o noir ‘‘Bertulina’’ (que conta uma misteriosa história sobre a tal heroína da floresta).
Ambos soam meio perturbadores, na minha opinião. E por razões diferentes.
Enfim, vejam e compreendam.
E de todas as mais de cem gravações da diva, selecionarei um periclitante TOP 5 MARLI, levando em consideração, é claro, apenas o meu gosto pessoal porque né, sou o que escrevo essa delícia de artigo, então me deixa fazer isso ao menos.
5. Daysi no retrovisor
A faixa que abre o álbum O Céu de Anástácia conta a história de uma menina iludida por mentiras e acaba coptada por uma rede de prostituição internacional :/
Estrofe mais lifechanging:
Ai gente, TUDO, né?
Mas o refrão é tão maravilhoso que MERECE ser citado:
De Vitória para o mundo, ela vai brilhar
Na janela pop-up que você clicar
Em todas as mentiras, ela vai acreditar
Da revista de moda para a página policial
Tocante, no mínimo.
4. Garota crente
Uma Marli menos ligada às causas sociais se mostra nessa maravilhosa crítica à sociedade hipócrita, repressora e zzzz, ouçam e notem.
Estrofe mais lifechaning:
Meus pais não querem que eu seja uma ginecologista
Mas eles vivem olhando ***** na Casa dos Artistas
Eles não gostam que eu ouça Britney nem veja MTV
Eles só assistem Ratinho e ouvem as músicas da Babi
Ai gente, que pena que A Árvore Ginecológica, LP que ABRANGE essa faixa, foi gravado em 2004. Senão, poderíamos ter tido uma menção saborisíssima aos pêlos pubianos da Babi, né?
Mas okay, Babi, não chore. A gente faz a referência por você \o/
3. Uma garota do cacete
E Marli chama a atenção dos homens brasileiros pro risco que as famewhores representam.
Tudo, é claro, sem perder o tom mordaz que nos fascina *0*
Estrofe mais lifechanging:
Ela é uma destruidora de lares
Tire sua aliança do dedo
Antes de enfia-lo nela
s2
sem mais.
2. Suave peste negra
Depois de ficar mais famosinha, Marli resolveu mudar um pouco estilo.
Num álbum mais descontruído, lançou em 2010 o Instalações Noturnas. O encarte mostra uma LadyGaguização da musa, acho que todos notaram, né.
O single Suave peste negra ganhou clipe com furadeiras e tudo \o/
Estrofe mais lifechanging:
Esse é o preparamento para o corrompimento
Apenas sinto o vento trazendo o encantamento
Quando se põe o sol e voa o rouxinol
Você traz o etanol e eu acendo o farol
E o jogo preparaçãpo/preparamento? Marli is the new Décio Pignatari. Construtivismo teria uma nova musa.
E gente, essa batida não maravilhosa?
(8) Tundum tundum dudum.. (8)
1. Além do arco-íris
Eu amo essa música <333
É simples. É cruel. É vil. É Marli!
Estrofe mais lifechanging:
Ok, essa é maravilhosa demais.
Vou citar dois trechos que acho LINDOS. De verdade, sem exageros.
Planos que nós fizemos
No posto de seu Cristóvão
Ele fez um desconto
Eu disse que ao chegar lá
Conseguiria um lugar
Quem sabe na Boca do Rio
Você riu da minha cara
Isso me cortou como um vento frio
''Isso me cortou como um vento frio'' ==> Melhor verso do mundo, entendo tanto você, Marli =/
Me add, vamos ser amigos de rachar o Rivotril e comer sorvete no mesmo pote vendo Crossroads \o/
E a outra estrofe que eu amo é essa
Acho que somos mais bonitos na televisão
Somos as mesmas pessoas
Só que com um pouco de silicone
E tintura loira
Você sabe que anjos vêm e vão
Por toda essa estrada de chão
Agora estamos fora da lei
Ninguém pode mais nos dizer 'não'
Ai gente.
Só ''Like a rolling stone'' do Bob Dylan me despertou isso.
E o que dizer ''Você cortou meu coração/ Você CRONOU O MEU CARTÃO''?
TODOS CHORA ABRAÇADO.
Olha. Sério.
Recomendo a todos baixar a discografia completa, socar tudo no MP3 e ir pro trabalho ouvindo.
Dica pra vida.
E vocês, gostaram?
Espero que sim.Até semana que vem, muah.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Alô?
O telefone na esquina me atraía, em grande parte pela cor. Achava telefone vermelho lindo e nunca tive um em casa – só aparelho branco, cinza, no máximo um cor-de-vinho, que não durou muito. Fazia coleção de fichas para ligações locais e fazia chamadas que quase nunca se completavam. Um dia, liguei e completou: fui cair em um sistema de previsões astrológicas. Ou algo parecido.
E desliguei nas carreiras, naturalmente. Eu não ia dizer “oi, eu sou uma menina de sete anos em um telefone público e disquei seu número por acaso.” Ia?
Veio a privatização das companhias telefônicas, chegaram os orelhões azuis, as fichas que eu amava deram lugar aos cartões coloridos que logo virariam item para coleção. (não lembro com muita exatidão da ordem das coisas, mas tudo bem) E descobrimos aqueles serviços 0900 que cobravam aproximadamente 90 centavos por minuto (ou seria melhor dizer por segundo?). Os inesquecíveis (e toscos) comerciais do chat-chat-chat-chatline, aquele povo bunito se conhecendo pelo telefone e marcando balada, etc e tal. Aquele negócio era tão tentador para crianças sozinhas em casa quanto passar um trote para o vizinho. Uma vez, em companhia de coleguinhas (porque essas presepadas nós nunca fazemos sozinhos, fato), passei pela experiência de ligar para um disque-amizade da vida. Uma das meninas discou e a gente esperava o atendimento.
Não demorou muito para uma garota com voz de patricinha manhosa chamando o namorado de “meu bebê” atender a gente e perguntar o nome da moçoila. Um nome estranho inventado na hora e a garotinha manhosa do outro lado da linha respondeu:
- Aguarde um momento, senhorita ___________ (não lembro mais o sobrenome da nossa personagem, foi mal). Já vamos chamar o seu gatinho!
*click* Desligamos.
Aquela chamada não deve ter durado mais que cinco minutos. Mas vocês devem imaginar a beleza que ficou a conta telefônica no fim do mês.
Teve também aquela tentativa de ligação internacional no orelhão, na hora do recreio. Não, não consegui falar com nenhum ianque. E não houve uma segunda tentativa.
E hoje? Hoje esse aparelho aqui ao meu lado na mesa de trabalho não é mais tão atraente... Ele não toca com a frequência de antes e, quando toca, é um tal de “atende você” “não, atende você” aqui em casa, na maioria das vezes sobrando para mim. Tem as atendentes eletrônicas do outro lado e suas gravações que desanimam e estressam qualquer criatura. Aquela musiquinha chata que você é obrigado a ouvir enquanto procuram um atendente de verdade para falar com você (ou não). A dificuldade de marcar uma consulta médica por telefone.
Mas nem tudo é tristeza no fim. Vieram as promoções de telefonia celular e a tecnologia voIP para me salvar da saudade de ouvir a voz de alguém querido... Porque alguma coisa boa tinha de haver, não é mesmo?
P.S.: Sim, é verdade. Walter Mercado mudou de nome! Descobri enquanto procurava esta simpática foto que ilustra nosso post.
domingo, 3 de abril de 2011
FOGO
Fogo! Ela sempre sonhava com fogo. Mas diferente das outras pessoas, ela não corria desse fogo. Ela não sentia medo! Pelo contrário. Ela se sentia confortável com aquele calor.
Aquele fogo, especificamente, a aquecia. Fazia com que ela esquecesse o frio azulado da solidão que constantemente rondava a sua volta.
Como um imã, ela corria para a direção daquele calor, sem se importar por onde estava andando, ela corria para cada vez mais perto do amarelo, laranja e vermelho, ironicamente cores que ela detestava.
Então, dentro das labaredas, ela o avistava. Ele com toda sua segurança despercebida, sorrindo para ela. Um sorriso calmo, cheio de ternura. Aquele tipo de sorriso que uma pessoa é capaz de cometer as maiores loucuras para poder ter. Aquele sorriso que brilha os olhos.
Era nessa hora que as coisas mudavam. Aquele fogo que inicialmente aquecia, passava a queimar com violência. Ela não conseguia se aproximar; e por mais que tentasse, sempre havia algo que a impedia de estar com ele.
Então ele começava a falar com ela. A sua voz, sua doce voz falando que estava tudo bem, que tudo iria dar certo. Então, ela tentava com mais vontade ultrapassar aquelas chamas que antes a aqueciam. Falava com ele, mas ele não a escutava. Continuava falando que tudo, no final, iria terminar bem.
Nessa hora ela acordava chamando por ele. Ele, por sua vez, sempre seguro, a abraçava e mostrava que estava tudo bem. O fogo havia, enfim, se acalmado novamente.
Vanessa Carvalho (Lobinha)sábado, 2 de abril de 2011
História para boi dormir



